Entrevista1/2/2010
O ano do Brasil!
Dudu Godoy, presidente da Associação Brasileira de Marketing e Negócios, fala sobre suas expectativas para 2010
PERFIL:
Cargo: presidente da ABMN (Associação Brasileira de Marketing e Negócios) e da Quê Comunicação
Currículo: formado em jornalismo pela PUC-Campinas e com especialização em marketing pela Escola Trevisan, assumiu a presidência da ABMN em 2007, função que acumula juntamente com a de presidente da Quê Comunicação, agência pertencente ao Grupo PPR. Atuou também como diretor-presidente da PG Comunicação e dentro de sua trajetória traz 27 contas públicas atendidas, além de empresas como CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz), Infraero, Alusa Engenharia, Bebidas Primor, Postes Cavan e Volkswagen. Paralelamente, ministra palestras na George Washington University (EUA), Universidade de Madrid (Espanha) e Universidade de Campinas (Unicamp), entre outras.
* Claudia Pereira
O ano de 2009 foi marcado pela incerteza a respeito dos rumos da crise que fez diversas economias no mundo despencarem. Depois dos vários prognósticos, a conclusão para quem apostou no Brasil foi de que o monstro da recessão não era tão feio quanto parecia. Fazendo uma avaliação de como correu o ano para as empresas brasileiras em termos de marketing, Dudu Godoy, presidente da ABMN (Associação Brasileira de Marketing e Negócios) e também presidente da Quê Comunicação, apresenta uma análise positiva do período e aponta o varejo como o grande destaque do setor. Para aqueles que não confiaram no poder de consumo do brasileiro o executivo diz: “Erraram na estratégia.” Em conversa com a Marketing, Godoy falou sobre os pontos fortes que fizeram de 2009 um grande ano para o consumo no Brasil, além de assuntos como marketing sustentável, Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e expectativas para 2010.
Uma pesquisa realizada recentemente pela ZenithOptmedia, empresa do Publicis Group especializada na compra de espaço publicitário, apontou que os gastos com mídia registraram queda de 10,2% em 2009, sendo América Latina e Ásia/Pacífico as regiões onde, diferentemente do resto do mundo, o setor registrou crescimento. Como o senhor avalia esse resultado, principalmente, no que diz respeito ao Brasil?
Para analisarmos o mercado durante o ano que passou é preciso voltar ao último trimestre de 2008. Os acontecimentos que marcaram os três últimos meses daquele ano foram o reflexo de 2009 em todas as áreas, incluindo o marketing. As empresas optaram por uma reorganização orçamentária e, na minha opinião, os cortes foram brutais, inconsequentes até, pois a crise foi grave, mas menos grave do que o anunciado. As atitudes tomadas por conta desses três meses de anúncio da crise fizeram com que muitos projetos fossem abortados. Na área de marketing, por exemplo, tirando o varejo, tudo o que se referia a comunicação institucional foi cortado, assim como ações de relacionamento. Os cortes de investimentos publicitários foram na ordem de 32% em relação ao orçamento de 2009. Todos os projetos que estavam na gaveta continuaram na gaveta. Por outro lado, os investimentos em varejo continuaram. O melhor exemplo disso foi a indústria automobilística, que possuía um estoque muito alto e continuou a investir em marketing para vender carro.
A mesma pesquisa apontou ainda que o meio que mais avançou frente à crise foi a internet, com 9,5%, e com previsões interessantes para os próximos três anos, com crescimento de 12% a 13%. Qual sua avaliação sobre a utilização desse canal pelas empresas brasileiras no que se refere ao marketing?
A crise mostra muito a realidade. Quando você está na bonança, fixa pouco os olhos naquilo que realmente é essencial. Na crise é necessário continuar fazendo o que funciona e descartar aquilo que não dá certo. A internet, em termos de marketing, é um meio relativamente novo. Temos alguns profissionais especializados, porém não “experimentados”. O que provoca a falta de um investimento maior no meio é o não conhecimento desse canal e a não mensuração. As empresas querem saber a média de impacto de suas ações. É preciso apresentar, executar e mostrar o retorno. Os anunciantes sabem que a internet é importante, mas querem ter a certeza. Atualmente, não temos empresas que mensuram a internet. Como mudar a mentalidade dos empresários? Esse canal está começando a ter uma qualificação, mas que não se formará em três anos. É algo que leva tempo, pois é preciso investir em pesquisas, em estudos. As empresas não têm medo de investir na web, mas é muito mais fácil arriscar em canais em que é possível fazer uma mensuração.
Como o senhor avalia a “febre” das redes sociais? Esse tipo de mídia deve ser inserida dentro dos planos de marketing das empresas?
As redes sociais são canais novos, não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos e na Europa. O que a empresa precisa ter em mente é que não adianta estar em redes sociais se não tiver nada de interessante a dizer. Não adianta “migrar” para esse tipo de canal apenas porque o concorrente está lá também. Isso é um erro. É preciso, sim, estar atento às oportunidades, mas só se dá bem quem entende, de fato, esses canais. Um exemplo disso foi o Second Life. Muitas pessoas dizem que não deu certo, mas vejo como algo que funcionou durante o período em que esteve vivo. Soube aproveitar as oportunidades e vender espaços para lançamentos de produtos de marcas como Adidas, Bradesco e Fiat. Ao mesmo tempo, as empresas souberam utilizar bem esse canal. Toda e qualquer forma de oportunidade de relacionamento com o consumidor ou cliente deve ser aproveitada e as redes sociais são uma delas.
Qual sua opinião sobre o “boom” da classe C em 2009?
As empresas começaram a se preocupar com a classe C porque perceberam que ela não voltaria a ser classe D. O ano de 2009 apenas consolidou esse mercado, que teve uma evolução gradativa. A classe C não começou a consumir entre os anos de 2008 e 2009, mas foi nesse período que os institutos de pesquisas mostraram estudos sólidos dizendo “eles consomem”.
Diante dessa crise, qual foi a importância das multinacionais instaladas no Brasil em relação às suas matrizes?