Supermarketing1/2/2010

Empobrecemos 13 minutos

"Aqueles que gastam mal o seu tempo são os primeiros a queixar-se da sua brevidade" - Jean de La Bruyère

 

“Aqueles que gastam mal o seu tempo são os primeiros a queixar-se da sua brevidade”

Jean de La Bruyère 

 

D e 2008 para 2009 os paulistanos ficaram 13 minutos mais pobres no bolso do poder restritivo, o bolso do tempo. Algum produto e serviços agregados, quem sabe mesmo, amor e paixão, foram sacrificados.

Como é do conhecimento de nossos leitores, desde a virada do milênio, nós, consumidores modernos e diplomados, saímos às compras com dois bolsos, ou duas bolsas: a do dinheiro, poder aquisitivo, e a do tempo, poder restritivo. Não adianta mais caber na bolsa do dinheiro se não couber na bolsa do tempo. Se cairmos em irresistível tentação vamos comprar, mas não usar. E a sensação sempre será a pior possível: de compra malfeita e irresponsável socialmente, diante de tanta gente precisando de tudo. Em função do bolso do tempo, tudo passou a concorrer com tudo. Por exemplo, a maior vilã dos tempos modernos é a internet, que “roubou” parcela expressiva da moeda tempo que tínhamos em nossos bolsos/bolsas e dezenas, centenas mesmo, de produtos e serviços foram colocados de lado, abandonados, esquecidos, a caminho do desaparecimento.

Pesquisa recentemente divulgada, a propósito da comemoração do Dia Mundial Sem Carro – 22 de setembro – e realizada pelo Ibope para o Movimento Nossa São Paulo, constatou que em um ano, de 2008 para 2009, os paulistanos passaram a despender 13 minutos a mais por dia no trânsito da cidade; das 2h30m de 2008, para as 2h43m de 2009. Pela mesma pesquisa, em 2008, 70% dos paulistanos achavam a situação do trânsito da cidade ruim e péssima; em 2009 esse número subiu para 71%. Em compensação, e para surpresa dos pesquisadores e que provavelmente atribuem o fato a uma espécie de sentimento de conformismo, em 2008 3% apenas achavam a situação do trânsito boa, e em 2009, 6%, o mesmo acontecendo com muito boa, que foi de 1% para 3%. E todos esses que “se acostumaram”, migraram dos que achavam regular em 2008 e que eram 23% e caíram para 19%.

Dentre as soluções aventadas pela pesquisa, os paulistanos optaram pelo pedágio urbano, 73%, e aumento do rodízio para dois dias, 52%. E 56% prefeririam aplicar o R$ 1 bi que o Governo do Estado vai gastar com a nova Marginal do Tietê na ampliação das linhas de trem e metrô e em corredores de ônibus.

Na falta de soluções, as previsões mais otimistas estimam um empobrecimento de no mínimo uma hora, na próxima década. Ricos de dinheiro, miseráveis de tempo. 

 
* Por Francisco Alberto Madia de Souza, diretor-presidente do MadiaMundoMarketing