Gifting30/3/2010

Exposições universais, exposições pessoais

* Por Marina Pechlivanis

"

 

"Disney World sugere que a arquitetura é importante, não porque seja um símbolo do capitalismo, mas porque é a capital do simbolismo" - Zukin, S. Landscape of Power. From Detroit do Disney World. Oxford: University of California Press, 1991

 

A criação das Exposições Universais (World Expos) foi um grande acontecimento no desenvolvimento de muitos países e na definição do que se conhece por era moderna, advinda da industrialização. Londres, em 1851, sediou o primeiro de uma série de eventos que passaram a acontecer em média a cada 5 anos, com 6 meses de duração, objetivando, com espetáculos futuristas, promover a economia, a ciência, a educação, o comércio e a tecnologia de determinada nação, posicionando-a qual potência nos negócios globo afora. Quanto à magnitude, pode-se dizer que seu impacto é similar ao de uma Olimpíada ou de uma Copa do Mundo, trazendo investimentos e ampliando a visibilidade dos feitos regionais frente a uma produtiva rede de relações internacionais que se implementa e gera negócios em toda nova exposição.

Historicamente, cada evento deixa um marco, pelos avanços e inventos apresentados para a humanidade, e um marco geográfico no local onde ocorre. E também distribui suas marcas, com gifts e give aways colecionáveis que compõem o registro de memória daquele evento e promovem cidades, estados e nações (com suas bandeiras, emblemas, insígnias, miniaturas).

Em termos de potência e imponência social, política e financeira, as Exposições Universais estão para os feitos da revolução industrial assim como os parques de diversões estão para a revolução na indústria do entretenimento. De um lado a Torre Eiffel, ícone internacional da eternização de um determinado tempo e espaço. De outro, não menos escultural, a montanha-russa, símbolo da aceleração do espaço-tempo e lente para uma nova forma de ver o mundo.

Inventada em 1884, dez anos antes do cinema, a montanha-russa já fulgurava em 1897 em empreendimentos imobiliários, como o Steeplechase Park (Coney Island, anexo a Nova York) e gerando lucros também com cinemas e diversões eletrônicas.

Em sua obra “A corrida para o século XXI. No loop da montanha-russa”, de 2001, Nicolau Sevcenko destaca que “nos parques de diversão o que os atraía eram os brinquedos que, ou por submeterem as pessoas a experiências extremas de deslocamento e aceleração ou por lhes propiciarem perspectivas inusitadas, alteravam dramaticamente a percepção do próprio corpo e do mundo ao redor”.

Com as conquistas da eletricidade e da engenharia, com a utilização de matérias-primas como ferro e vidro, e com as potentes ferramentas de comunicação (usando imagem e som), a solução de entretenimento “barato” serviu de excelente ferramenta de contenção de uma massa de trabalhadores que tinha novas temporalidades, com tempo de trabalho e também tempo livre e dinheiro, abertos a novas experiências e sensações e a novas possibilidades de consumo: além de pipoca, cachorro-quente e algodão-doce, os mimos, como ursinhos, buttons, camisetas e bonés, ampliando a presença daquele momento de prazer, lazer e diversão. Saem as bandeiras dos países e entram ícones da “cultura” vendidos nas lojinhas do parque: personagens de desenhos animados e filmes, celebridades, marcas…

Nas Exposições Universais as nações aparecem. Não por acaso a edição 2010, de Xangai, está prevendo um público de 70 milhões de visitantes.

Nos parques de diversões, as multinacionais aparecem. Vide os parques de Orlando, patrocinados por empresas como Coca-Cola, Kodak, GM, HP e Nestlé.

E você, reles mortal, onde aparece?

Mais que os 15 minutos de fama propostos por Andy Warhol, hoje as pessoas têm à disposição o que há de mais sofisticado em ciência, tecnologia, comunicação e entretenimento de última geração para a autopromoção. Podem fazer mais network que qualquer viajante, em poucos segundos, sem sair do lugar. Podem aparecer na mídia tanto quanto celebridades, podem até se transformar em ícones de uma região ou mesmo em uma marca.

No grande parque de diversões da era web, se você tem Twitter, vídeo postado do YouTube, está no MySpace, no Orkut, publicou seu CV no LinkedIn e, entre outros tantos valorizados por diferentes tribo e vibes, se seu nome está no Google com foto e tudo, parabéns!

Você colabora com redes de informações velozes e eficientes. Está conectado. Entretém e é entretido também. Participa de uma nova lógica industrial, repleta de fluxos em não lugares desterritorializados e ao mesmo tempo glocalizados. Com matrizes, códigos-fonte, provedores, wi-fis, bluetooths e seus novos rituais, mitos, estilos e crenças.

É um fetiche visual e, dependendo da forma como se vende, é também uma mercadoria, um ponto turístico, um show à parte. Com visitantes todos os dias, de todo o planeta. E com novas atrações, atualizadas em nanossegundos.

Você não é um obelisco de 1 km nem tem 8 loopings, mas criou seu marco no ciber espaço desta era virtualizada. Você é uma exposição pessoal.

É melhor começar a investir nos souvenirs.

 

* Marina Pechlivanis é sócia e diretora da Umbigo do Mundo, mestre em comunicação e consumo pela ESPM e integrante dop GEA (Grupo de Estudos Acadêmicos) e da AMPRO

"

PRÊMIOS

EVENTOS

COPYRIGHT 2014 Revista Marketing - Todos os Direitos Reservados


Trentin Digital