Entrevista1/6/2010
Apaixonado por automóveis
Carlos Murilo Moreno é o novo diretor de marketing da Nissan
Perfil
Carlos Murilo Moreno
Cargo: diretor de marketing da Nissan
Formação: publicidade pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestre na área pela Universidade Federal de Santa Catarina
Currículo: o executivo possui 24 anos de experiência na área de marketing e comunicação, período em que também trabalhou com empresas do setor automotivo. Nesse segmento, ingressou em 1996, como gerente e chefe de publicidade e promoções na Fiat. Foi também diretor-geral das contas da Fiat e da Renault nas agências de publicidade por onde passou, entre elas a Ogilvy e Neogama/BBH. Antes de assumir o cargo na Nissan, foi diretor de novos negócios da The Marketing Store, agência de marketing promocional.
Há dez anos estabelecida no mercado brasileiro, a Nissan entrou em 2010 decidida a repetir o sucesso de outras montadores japonesas, como Honda e Toyota, cujos modelos de passeio já são figuras constantes nas ruas e estradas do País. Para isso, reformulou até sua diretoria de marketing, ao contratar, no final de janeiro, o executivo Carlos Murilo Moreno, que tem experiência no mercado automobilístico. Nesta entrevista, Moreno, cujo desafio é tornar a marca ainda mais reconhecida e oferecer uma das melhores opções de compra ao consumidor, fala de um dos principais objetivos da montadora para que esse desafio seja conquistado: trazer a postura da Nissan internacional para o mercado brasileiro, de modo que os consumidores do País conheçam os valores que a marca prega. Entre eles, primar pela qualidade de seus produtos e a tecnologia que os modelos da marca possuem para facilitar o dia a dia do consumidor. Moreno também comenta as mudanças no departamento de marketing da montadora, como pretende direcionar as ações da empresa focando o consumidor, e não os passos dos concorrentes, e quais serão as prioridades na comunicação da Nissan do Brasil.
Você assumiu a diretoria de marketing da Nissan há pouco tempo. Qual a imagem que você tinha da marca no mercado nacional?
Eu tinha uma imagem formada da Nissan mundial. Já sabia do perfil da montadora, o tipo de produto que ela fazia, sua postura no mercado, e me surpreendi positivamente, pois o que achava que era bom, constatei que realmente é, e o que desconhecia, me surpreendeu. A Nissan internacional tem uma postura que precisamos, obrigatoriamente, trazer ao Brasil. Já existem traços desse posicionamento por aqui, mas o brasileiro precisa conhecer mais a Nissan pelos mesmos valores que os consumidores lá de fora já conhecem.
Que valores são esses?
As empresas do grupo são conhecidas por dois pilares fortes: a qualidade de seus produtos e a tecnologia dos carros. Essa qualidade que eu falo está diretamente ligada à preocupação de passar o prazer de dirigir. Não necessariamente dirigir carros potentes, mas sim de dirigir no dia a dia, mesmo enfrentando o congestionamento das grandes cidades. Fazer o consumidor ter uma boa sensação toda vez que entra no seu carro, de notar como as coisas foram idealizadas para passar a sensação de prazer, como, por exemplo, o câmbio CVT, de transmissão continuamente variável, que faz o carro não dar aqueles trancos quando pega um trânsito e fica a todo momento andando e parando. Ou a chave inteligente i-Key, que destrava as portas e dá a partida só com a aproximação do motorista do veículo. Tem ainda o Nissan Leaf, o primeiro carro 100% elétrico a ser comercializado no mundo. Para idealizar um modelo desses, que não necessita de combustível, é preciso entender vários processos, como ele será abastecido ou o que acontece quando a bateria for substituída. E são esses processos que fazem a Nissan adotar uma tecnologia voltada para facilitar a vida das pessoas, e não para os tradicionais adoradores de automóveis.
O que muda no departamento de marketing da montadora com a sua chegada?
Não existem grandes mudanças, mas sim uma soma de fatores que irá fazer a Nissan ter uma postura diferente em termos de marketing. O que ficou resolvido em comum acordo com os principais executivos da empresa é que a montadora terá uma postura mais voltada para o dia a dia do consumidor, de modo a atender todos os seus anseios. Outras áreas também passam a responder diretamente à diretoria de marketing, como a comunicação corporativa e o planejamento de produtos, para facilitar o entendimento com o consumidor a partir do momento em que conhecemos o processo de criação do carro, desde seu planejamento até o momento da venda, além de proporcionar uma comunicação mais integrada.
Quais os atributos de marca que você pretende agregar à imagem da Nissan em sua gestão?
Não há pretensão em cima disso. Como eu disse anteriormente, o principal objetivo é trazer a imagem que ela tem lá fora para o Brasil. Em termos de comunicação, temos que ter cada vez mais consistência em nossas mensagens, e que seja cada vez mais voltada para a imagem internacional da marca. Vamos pegar como exemplo o Nissan Micra, o hatch compacto que está sendo fabricado em quatro países e comercializado para 160 (chega aqui ao Brasil em 2011, vindo da fábrica do México, com o nome de March). É preciso existir a garantia de que o processo de planejamento para a venda do modelo entenda a necessidade de cada país.
Como fazer o consumidor brasileiro conhecer essa imagem internacional da Nissan?
A Nissan está produzindo no Brasil há apenas dez anos. É muito nova, e não se constrói a imagem de uma montadora em tão pouco tempo, pois o ciclo de trocar de carros é longo. Nesses dez anos, uma pessoa com o perfil de consumidor de um modelo zero da Nissan trocou de carro três, quatro vezes no máximo. Hoje temos carros para atender 29% do mercado brasileiro. Com o March, em 2011, nosso potencial subirá para 70% do mercado. É um crescimento considerável, se pensar que começamos com 1%. Mesmo assim, nossa marca ainda não está no radar do consumidor que vai comprar um carro de imediato. Temos um grande trabalho de construção de imagem a fazer.
E como você pretende consolidar a marca no segmento automobilístico como uma das melhores opções de compra do consumidor?
* O texto completo desta reportagem você confere na edição impressa da revista Marketing, publicada em junho de 2010. Assine aqui!