Ponto Final07/01/2008

Cenas de um casamento

"""Nossos casamentos são baseados em papéis obsoletos"" - Betty Friedan"

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Possivelmente você conhece o título acima do filme de Ingmar Bergmann, estrelado por Liv Ullmann e Erland Josephson e que foi distribuído em 1974. Era um filme longo – quase três horas –, mas nem todos sabem que foi editado de uma série exibida na TV sueca (que chegou nas locadoras brasileiras no ano passado), composta por seis episódios de 50 minutos cada um.

Trata-se de uma rara e profunda reflexão, por parte desse grande pensador contemporâneo – através do meio cinema – sobre uma questão que, a meu ver (acredite, leitor, com toda a modéstia possível) é muito debatida em todos os meios de comunicação e continua sendo muito pouco compreendida de verdade. Sobretudo, porque tende a ser tratada de forma pouco honesta – ou muito hipócrita.

Bergmann voltaria ao tema – com grande amargura – no seu último filme, “Saraband” (2003), estrelando os mesmos artistas de 30 anos antes. Há uma diferença fundamental entre “Cenas” – versão integral ou editada – e “Saraband”: o primeiro trata quase que exclusivamente das vidas de cada um dos parceiros do casal e das suas interações; no segundo se pode dizer que os protagonistas são, de fato, os parentes: filhos e netos.

Há muitos outros filmes que tratam de casamentos, com mais ou menos seriedade. Entre os mais sérios estão “A Guerra dos Roses” (1989), com Michael Douglas e Kathleen Turner, uma rara experiência de Danny de Vito como diretor, que, às vezes, parece ser uma comédia, mas, decididamente, não é; e o mais antigo, “Quem tem medo de Virginia Woolf?” (1966), com o casal da vida real (?) Elizabeth Taylor e Richard Burton, que só pode ser compreendido como peça de teatro, que é.

Tenho amigos que trabalham com psicoterapia – individual e de grupos (inclusive de casais) – que encontram nos filmes disponíveis nas locadoras material às vezes muito rico para “trabalharem” com os seus clientes, ou mesmo entre si, em encontros profissionais. Para os cinéfilos e outros interessados sugiro uma visita ao excelente site da Movie Database > http://www.imdb.com. Digite, em “keywords”: marriage, couples, weddings, etc.

Como contribuição aos amigos terapeutas, tenho proposto que sejam menos conservadores e lancem um olhar sobre uma outra fonte de grande sabedoria contemporânea sobre as relações entre casais: as histórias em quadrinhos. Na verdade, não são tão contemporâneas assim, pois refiro-me às HQ que foram criadas no século passado – e uma delas, inclusive, já não existe mais: Pafúncio e Marocas. Jiggs e Maggie, no original, foram personagens criados nos EUA, em 1918, por George McManus, e freqüentaram as tiras dos jornais diários por mais de 50 anos. Eram novos-ricos, de origem irlandesa, que haviam ganho na loteria. O desenho de McManus era um primor, e as situações, decididamente, chaplini-freudianas, se consigo ser meio claro... A outra ainda existe: Blondie e seu marido Dagwood, criada em 1930 por Chick Young. Menos sofisticada do que a primeira, ainda assim continua altamente instrutiva. 

 

 

J. Roberto Whitaker Penteado - Diretor da Escola Superior de Propaganda e Marketing e jornalista - jrwp@oi.com.br      

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